Captação de recursos em organizações esportivas: o problema da acumulação de funções

Fundador que também é professor, diretor que também capta recursos, presidente que responde por tudo. Essa figura é tão comum no terceiro setor esportivo que virou quase regra — e a pesquisa da USP confirmou o padrão. O problema: quando a captação é função "extra", ela tende a ser feita no que sobra de tempo e energia.
O retrato encontrado pela pesquisa da USP
Na dissertação de Vanucci (2019), 77,78% das organizações da amostra (7 de 9) tinham a prospecção de patrocinadores nas mãos de fundadores, presidentes, diretores ou gestores que acumulavam essa função com outras. Apenas 2 organizações (OE6 e OE7) possuíam estrutura dedicada à captação.
⚠️ Esse percentual refere-se a uma amostra de 9 organizações de São Paulo — não ao setor como um todo.
Esse dado revela um padrão preocupante: a captação de recursos, função vital para a sustentabilidade, está frequentemente nas mãos de pessoas que já têm outras responsabilidades importantes. Isso pode comprometer a qualidade e a constância do trabalho.
Por que acumular funções limita a captação
A captação de recursos exige dedicação e foco. Quando essa tarefa é apenas uma função extra, o resultado costuma ser abaixo do ideal. A pesquisa aponta algumas razões claras para isso:
Prospecção contínua: captar recursos não é um esforço pontual. É preciso buscar oportunidades constantemente.
Relacionamento com financiadores: construir e manter vínculos exige tempo e presença regular.
Sobrecarga dos dirigentes: quem acumula funções tende a agir por demanda emergencial, sem planejamento estratégico.
Risco de concentração: o conhecimento e os contatos ficam presos a uma pessoa. Se ela sair, o processo pode parar.
Esses fatores mostram que a acumulação de funções pode comprometer a sustentabilidade da organização no médio e longo prazo.

Modelos possíveis para estruturar a captação
Não existe um modelo único para organizar a captação de recursos. A escolha depende do tamanho da organização, do volume de projetos e do orçamento disponível. Três caminhos comuns são:
Profissional dedicado
Ideal para organizações com volume suficiente de projetos e recursos. Ter um profissional focado exclusivamente na captação permite:
Prospecção constante e estratégica
Relacionamento próximo com patrocinadores
Desenvolvimento de projetos alinhados às demandas do mercado
Esse modelo exige orçamento para contratação e gestão, mas traz maior segurança e continuidade.
Função compartilhada com clareza
Quando não há orçamento para um profissional exclusivo, é possível definir uma pessoa responsável formalmente pela captação, mesmo que ela acumule outras funções. A diferença é que essa responsabilidade deve ser clara e estruturada, com metas e processos definidos.
Consultoria ou apoio externo
Outra alternativa é terceirizar parte do processo, como elaboração de projetos e prospecção inicial, por meio de consultorias especializadas. Isso ajuda a profissionalizar a captação enquanto a estrutura interna amadurece.
Esses modelos podem ser combinados conforme a necessidade e o momento da organização.
O papel da liderança sem sobrecarregá-la
Fundadores e presidentes têm um ativo que ninguém substitui: credibilidade e histórico. O caminho inteligente é usá-los como porta-vozes estratégicos, participando de reuniões-chave e fechando parcerias importantes.
Enquanto isso, a rotina de prospecção, follow-up e comunicação deve ficar com uma estrutura definida, seja um profissional dedicado, um responsável formal ou uma consultoria.
Assim, a liderança contribui com seu valor sem ficar sobrecarregada, e a captação ganha em eficiência e continuidade.
Perguntas para avaliar sua organização
Para entender se a captação de recursos está bem estruturada, faça as seguintes perguntas:
Quem é o responsável formal pela captação hoje?
Essa pessoa acumula quantas outras funções?
Existe um pipeline de potenciais financiadores documentado?
Se o responsável atual sair, o processo continua de pé?
Responder a essas perguntas ajuda a identificar riscos e oportunidades para melhorar a área.
Profissionalizar a captação é garantir sustentabilidade
Profissionalizar a captação não significa burocratizar. Significa garantir que a função mais crítica da sustentabilidade tenha dono, processo e continuidade.
A pesquisa da USP mostra que a maioria das organizações ainda não deu esse passo. Para mudar esse cenário, é fundamental investir em estrutura, clareza de responsabilidades e processos.
Um exemplo prático é a parceria com consultorias especializadas que apoiam a organização na elaboração de projetos e na prospecção de patrocinadores. Isso pode acelerar a profissionalização e trazer resultados mais consistentes.
Se sua organização busca esse caminho, a T4V Brasil oferece suporte estratégico para estruturar a captação de recursos em projetos esportivos com impacto social e ambiental. Saiba mais entrando em contato pelo e-mail marketing@t4vbrasil.com ou pelo WhatsApp (48) 98466-7275.
Referências e leituras recomendadas
Vanucci, M. (2019). Dissertação sobre captação de recursos em ONGs esportivas. USP.
Artigo 2: Estrutura do terceiro setor
Artigo 9: Relacionamento com patrocinadores
Essas fontes ajudam a aprofundar o entendimento sobre gestão e profissionalização no terceiro setor esportivo.
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